RESPIRA - TEMA: RACISMO, O QUE TENHO A VER COM ISSO?, 11 DE MAIO DE 2021.
"Eu sou assim, não tenho preconceito", "cada um com seus problemas, não tenho culpa se o outro é desse jeito" algumas de nossas ações e palavras podem esconder sentimentos velados de preconceito com relação ao outro. Vivemos numa sociedade do estereótipo e somos fruto de sua influência. A professora Éllen Cintra, nos trouxe conhecimentos riquíssimos sobre esse tema ao nos proporcionar um bate papo sobre o racismo.
E você, sabe o que é Racismo?
O racismo consiste no preconceito e discriminação com base em percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre povos.
Nos cabe refletir sobre até que ponto pode ser intencional ou não querer ferir o próximo. Chamar o outro "Nego", "Ô minha preta" são formas de se expressar que podem não ser bem recebidas pelo próximo, mesmo que você tenha boa intenção.
Então, como me direcionar ao próximo?
A partir do bate papo mediado pela Profa Éllen conversamos sobre a forma de se referir as pessoas e o quanto isso é uma questão regional e cultural. Desta forma, para evitar mal entendido, o melhor sempre é se reportar as pessoa pelo nome, ou então perguntar "Oi eu sou acostumada a chamar as pessoas que eu gosto assim, você se incomoda?" Se não se incomodar tudo bem, caso contrário peça desculpa e tente não repetir novamente. Algumas regiões do nosso país utilizam diferentes maneiras de se expressar, ou seja, uma mesma palavra pode ter vários sentidos, sendo ele pejorativo ou não, por exemplo, essa expressão "O nega" em Salvador/Bahia e Itajaí/Santa Catarina é algo carinhoso, porém, no interior de São Paulo esta fala não é bem vista, devido a construção cultural dessa localidade.
A professora Éllen também abordou um assunto muito importante, as cotas raciais. Você, é favor ou contra?
Segundo ela, hoje, ser a favor ou contra não deveria mais ser tema de discussões, afinal as cotas estão ai a fim de afirmar a diminuição das diferenças econômicas, sociais e educacionais entre pessoas de distintos grupos étnicos raciais posta em Lei 12.711, aprovada em 29 de agosto de 2012.
Nossa conversa foi muito produtiva, os professores participaram com várias perguntas e uma delas foi "Está havendo uma mudança positiva sobre a situação do racismo no Brasil e no mundo?"
A professora Éllen acredita que sim, por isso que ela luta em favor dos seus direitos enquanto mulher negra e dos demais, todos os dias.
Vamos conhecer um pouco sobre quem é a professora Éllen Cintra e sua carreira?
Éllen Cintra é negra, professora apaixonada pela educação como prática de liberdade. Faz o que ama lutando todo dia por uma educação de fato antirracista, integral e de protagonismo estudantil. Como professora da Secretaria de Educação há 10 anos, já passou pelas salas de aula de ensino fundamental e médio, equipes técnico-pedagógicas e é formadora de professores em educação das relações étnico-raciais, diversidade e Direitos Humanos no DF.
Angoleira do Nzinga-DF, ela é (Des)aprendentende inveterada, mestre e doutoranda em Educação pela Universidade de Brasília. Estuda educação das relações étnico-raciais em Estudos Comparados em Educação, justiça racial, anti-antinegritude, educação de terreiro e Educação liberatória. Faz parte do NEAB, do GEPPHERG, do GEFFOP e do GERAJU da UnB.
Graduada em Letras Português/Inglês, foi professora assistente de língua portuguesa na Loyola University em Chicago como bolsista da Comissão Fulbright, atua ainda hoje como consultora ad hoc dessa Comissão. Atualmente é bolsista do doutorado sanduíche, com a Comissão Fulbright e embarca para a Califórnia em setembro para fazer 9 meses de pesquisa de campo em educação da negritude nos EUA.


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